Quando algo não vai bem emocionalmente, é comum surgir a dúvida: devo procurar um psicólogo ou um psiquiatra?
Embora os dois profissionais cuidem da saúde mental, eles atuam de formas diferentes. E, em muitos casos, o acompanhamento conjunto pode fazer parte do tratamento.
Entender essa diferença ajuda a saber por onde começar.
O que faz um psicólogo?
O psicólogo é o profissional formado em Psicologia. Uma de suas principais formas de atuação na saúde mental é a psicoterapia.
Durante o acompanhamento, existe um espaço para compreender emoções, pensamentos, comportamentos, relacionamentos e situações que estão causando sofrimento.
A psicoterapia pode ajudar, por exemplo, pessoas que estão passando por:
- dificuldades nos relacionamentos;
- luto ou separações;
- baixa autoestima;
- insegurança;
- estresse e sobrecarga;
- ansiedade;
- medos;
- mudanças importantes na vida;
- dificuldades para lidar com as próprias emoções.
Não é necessário esperar que o sofrimento se torne intenso para procurar um psicólogo. A psicoterapia também pode contribuir para o autoconhecimento e para desenvolver maneiras mais saudáveis de enfrentar situações difíceis.
E o que faz um psiquiatra?
O psiquiatra é um médico especializado em saúde mental.
Por ter formação médica, ele pode avaliar tanto os sintomas emocionais quanto aspectos físicos que possam estar relacionados ao que o paciente está sentindo.
Alterações no sono, falta de energia, dificuldade de concentração, mudanças importantes de humor, crises de ansiedade ou perda de interesse pelas atividades do dia a dia, por exemplo, podem fazer parte de diferentes condições e precisam ser avaliadas dentro do contexto de cada pessoa.
Quando necessário, o psiquiatra também pode solicitar exames, estabelecer um diagnóstico e indicar medicamentos.
Isso não significa que toda pessoa que procura um psiquiatra receberá medicação. O tratamento é individualizado e depende da avaliação de cada caso.
Quando procurar um psicólogo?
O psicólogo pode ser procurado sempre que pensamentos, sentimentos ou comportamentos estiverem trazendo sofrimento ou dificultando alguma área da vida.
Às vezes, a própria pessoa percebe que está repetindo determinados padrões, tem dificuldade para lidar com algumas emoções ou sente que precisa compreender melhor o momento que está vivendo.
Não existe um nível mínimo de sofrimento necessário para começar a psicoterapia.
Quando procurar um psiquiatra?
A avaliação psiquiátrica é especialmente importante quando os sintomas começam a interferir de maneira significativa na rotina, no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos ou na qualidade de vida.
Alguns sinais que podem indicar a necessidade de uma avaliação incluem:
- tristeza persistente;
- ansiedade intensa ou crises de pânico;
- alterações importantes no sono;
- mudanças acentuadas de humor;
- perda de interesse ou prazer;
- dificuldade importante de concentração;
- pensamentos ou comportamentos compulsivos;
- uso problemático de álcool, drogas ou medicamentos;
- sofrimento emocional intenso;
- pensamentos de morte ou de se machucar.
Não é necessário saber se existe algum transtorno antes de marcar uma consulta. A avaliação profissional serve justamente para compreender o que está acontecendo.
Psicólogo ou psiquiatra: por onde começar?
Não existe uma única resposta.
Em algumas situações, o primeiro contato acontece com o psicólogo, que identifica a necessidade de uma avaliação médica. Em outras, o paciente procura inicialmente o psiquiatra, que pode recomendar a psicoterapia como parte do cuidado.
O mais importante é não deixar de procurar ajuda por medo de escolher o profissional “errado”.
Por que psicólogo e psiquiatra podem trabalhar juntos?
Saúde mental envolve diferentes aspectos da vida.
Imagine uma pessoa com depressão, por exemplo. O psiquiatra pode avaliar os sintomas, investigar possíveis condições associadas e, quando indicado, utilizar medicamentos para auxiliar no tratamento. Ao mesmo tempo, a psicoterapia pode ajudar essa pessoa a compreender pensamentos, emoções, comportamentos e situações que fazem parte do seu sofrimento.
O mesmo pode acontecer em quadros de ansiedade, transtorno bipolar, TOC, TDAH, dependência química e outras condições.
Por isso, psiquiatria e psicologia não são áreas concorrentes. São formas diferentes de cuidado que podem se complementar.
Quando existe indicação para o acompanhamento conjunto, essa integração permite olhar para o paciente de maneira mais ampla.
Procurar ajuda é o primeiro passo
Muitas pessoas convivem durante meses ou até anos com sintomas emocionais porque acreditam que precisam resolver tudo sozinhas ou porque não sabem qual profissional procurar.
Se algo mudou na forma como você pensa, sente, dorme, trabalha, se relaciona ou vive o seu dia a dia, vale prestar atenção.
Você não precisa chegar à consulta sabendo explicar exatamente o que está acontecendo.
Esse também é o papel do profissional: ouvir, avaliar e ajudar a encontrar o caminho mais adequado para o seu tratamento.