Você já teve um pensamento estranho, desagradável ou completamente contrário ao que gostaria de pensar?
Às vezes, ele aparece de repente. Pode ser uma preocupação exagerada, uma imagem desconfortável, uma dúvida insistente ou até um pensamento que causa medo justamente porque não combina com aquilo que você acredita ou deseja.
Esses são os chamados pensamentos intrusivos.
Eles podem surgir sem aviso e, quanto mais tentamos entender por que pensamos aquilo ou fazemos força para afastá-los, mais presentes eles podem parecer.
O que são pensamentos intrusivos?
Pensamentos intrusivos são pensamentos, imagens ou impulsos que surgem de maneira involuntária. Ou seja, você não decide conscientemente pensar naquilo.
Eles podem envolver diferentes assuntos, como medo de perder o controle, preocupação de que algo ruim aconteça, dúvidas sobre decisões, situações constrangedoras, relacionamentos, saúde, sexualidade, religião ou até pensamentos agressivos.
O conteúdo pode ser tão diferente da personalidade e dos valores da pessoa que a primeira reação costuma ser:
“Por que eu pensei isso?”
E é justamente essa preocupação que pode fazer o pensamento ganhar ainda mais importância.
Ter um pensamento significa querer fazer aquilo?
Não.
Esse é um dos pontos mais importantes para entender os pensamentos intrusivos.
Pensar não é o mesmo que desejar, concordar ou agir.
Nossa mente produz uma quantidade enorme de pensamentos ao longo do dia, muitos deles automáticos, aleatórios e passageiros.
Um pensamento desconfortável não define quem você é.
Inclusive, muitas vezes o sofrimento aparece justamente porque aquele pensamento é contrário aos valores da pessoa. Ela se assusta com o próprio pensamento e começa a questionar o que aquilo significa sobre si mesma.
Por que alguns pensamentos ficam presos na nossa cabeça?
Imagine que um pensamento estranho apareça e você simplesmente deixe que ele passe.
Provavelmente, pouco tempo depois, nem vai se lembrar dele.
Mas quando o pensamento provoca medo, culpa ou ansiedade, podemos começar a prestar atenção demais nele.
A pessoa tenta encontrar uma explicação, busca garantias de que aquilo não significa nada, tenta afastar o pensamento ou começa a observar constantemente se ele vai aparecer novamente.
Sem perceber, ela passa a dar cada vez mais importância àquilo.
É como dizer para si mesmo:
“Eu não posso pensar nisso.”
E então a mente parece fazer justamente o contrário.
Pensamentos intrusivos e ansiedade
A ansiedade pode fazer com que pensamentos intrusivos sejam percebidos como mais ameaçadores.
Uma dúvida simples pode virar uma sequência de preocupações:
“E se isso acontecer?”
“E se eu perder o controle?”
“E se esse pensamento significar alguma coisa?”
“E se eu estiver ficando doente?”
A pessoa passa a buscar certeza absoluta para uma situação que talvez não tenha uma resposta definitiva. Isso pode aumentar ainda mais a ansiedade e criar um ciclo difícil de interromper.
Pensamento gera medo, o medo aumenta a atenção sobre o pensamento e essa atenção faz com que ele pareça ainda mais importante.
Pensamentos intrusivos podem acontecer no TOC?
Sim. Pensamentos intrusivos podem estar presentes no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), mas ter um pensamento intrusivo não significa automaticamente que uma pessoa tenha TOC.
No transtorno, podem existir obsessões recorrentes que provocam ansiedade e, em muitos casos, comportamentos ou rituais realizados para tentar aliviar esse desconforto.
Por exemplo, a pessoa pode sentir necessidade de conferir repetidamente alguma coisa, buscar garantias com outras pessoas, repetir determinadas ações ou realizar rituais mentais para tentar neutralizar um pensamento.
O diagnóstico, porém, depende de uma avaliação profissional. Um sintoma isolado não é suficiente para determinar a presença de um transtorno.
Quanto mais tento não pensar, mais eu penso. Por quê?
Tentar controlar completamente os próprios pensamentos pode ter o efeito contrário.
Quando você faz um esforço constante para verificar se determinado pensamento desapareceu, precisa continuar prestando atenção nele.
É parecido com alguém dizer:
“Não pense em um elefante rosa.”
Para conferir se não está pensando nele, sua mente precisa lembrar justamente daquilo que deveria evitar.
Por isso, aprender a lidar com pensamentos intrusivos nem sempre significa fazê-los desaparecer. Muitas vezes, envolve aprender a reconhecê-los como pensamentos, sem automaticamente tratá-los como verdades, ameaças ou intenções.
Quando é hora de procurar ajuda?
Pensamentos estranhos ou indesejados podem acontecer com muitas pessoas. O sinal de atenção está principalmente no sofrimento e no impacto que eles começam a provocar na rotina.
Vale procurar ajuda profissional quando esses pensamentos se tornam muito frequentes, provocam ansiedade intensa, geram culpa ou medo constante, prejudicam o sono, o trabalho ou os relacionamentos, levam a comportamentos repetitivos ou fazem com que você evite determinadas situações.
Também é importante buscar avaliação quando você sente que passa grande parte do dia tentando controlar, analisar ou neutralizar seus próprios pensamentos.
Você não precisa acreditar em tudo o que pensa
Nossa mente produz pensamentos o tempo inteiro. Alguns são importantes. Outros são apenas pensamentos que aparecem e desaparecem.
O problema começa quando cada pensamento desconfortável passa a ser interpretado como uma verdade sobre quem somos ou como um sinal de que alguma coisa ruim necessariamente acontecerá.
Aprender a observar esses pensamentos com menos medo pode fazer parte do cuidado com a saúde mental.
E quando eles passam a causar sofrimento ou interferir na vida cotidiana, conversar com um profissional de saúde mental pode ajudar a compreender o que está acontecendo e encontrar a melhor forma de lidar com isso.