Dr. Sebastião Bianco

Insônia em idosos é normal? Quando se preocupar

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Muitas pessoas acreditam que dormir pouco ou acordar várias vezes durante a noite faz parte do envelhecimento. De fato, o sono muda com o passar dos anos. No entanto, sofrer com insônia constante não deve ser considerado algo “normal da idade”.

Quando o sono deixa de ser reparador e começa a afetar o humor, a memória e a disposição, é importante investigar as causas e buscar orientação adequada.

O sono muda com o envelhecimento?

Sim. Com o avanço da idade, é comum que o sono se torne mais leve e fragmentado. O idoso pode dormir e acordar mais cedo, ter mais despertares noturnos e sentir necessidade de cochilos durante o dia.

Essas mudanças fazem parte do processo natural do envelhecimento. O problema surge quando há dificuldade persistente para iniciar ou manter o sono, acompanhada de prejuízo na qualidade de vida.

O que é insônia?

A insônia é caracterizada por dificuldade para adormecer, manter o sono ou acordar antes do desejado, mesmo quando há oportunidade adequada para dormir.

Nos idosos, a insônia pode se manifestar como:

  • Longo tempo para pegar no sono
  • Acordar várias vezes durante a noite
  • Sensação de sono não reparador
  • Cansaço e sonolência excessiva durante o dia
  • Irritabilidade ou dificuldade de concentração

Quando esses sintomas persistem por semanas e impactam a rotina, é necessário avaliar.

O que pode causar insônia na terceira idade?

A insônia em idosos costuma ter múltiplas causas. Entre as mais comuns estão:

  • Doenças crônicas (como dor persistente, problemas cardíacos ou respiratórios)
  • Uso de determinados medicamentos
  • Sintomas de ansiedade ou depressão
  • Luto e mudanças importantes na rotina
  • Redução da exposição à luz solar
  • Sedentarismo

Além disso, preocupações excessivas e pensamentos repetitivos à noite podem dificultar o relaxamento necessário para dormir.

Insônia em idosos tem tratamento?

Sim, e o tratamento deve ser individualizado. A abordagem pode incluir: ajustes nos hábitos de sono (higiene do sono); organização de horários regulares; estímulo à atividade física leve; avaliação e ajuste de medicações; psicoterapia, quando há fatores emocionais envolvidos e uso criterioso de medicamentos para dormir, quando indicado pelo médico.

É importante destacar que o uso indiscriminado de sedativos pode trazer riscos nessa faixa etária, como quedas e prejuízo cognitivo. Por isso, a avaliação médica é essencial.

Quando procurar ajuda?

É recomendado buscar avaliação profissional quando:

  • A dificuldade para dormir persiste por mais de algumas semanas
  • Há impacto significativo no humor ou na memória
  • O cansaço interfere nas atividades diárias
  • Existe uso frequente de medicação para dormir sem orientação adequada

Quanto antes a causa é identificada, mais eficaz tende a ser o tratamento.

Envelhecer não significa aceitar noites mal dormidas

O sono é um dos pilares da saúde, em qualquer idade. 

Cuidar da saúde do sono é investir em disposição, equilíbrio emocional e preservação cognitiva. Se a insônia tem feito parte da rotina, buscar orientação profissional pode ser um passo importante para recuperar noites mais tranquilas e dias mais produtivos.